terça-feira, 30 de novembro de 2010

Tenho vontades

Tenho  vontades...
Tenho vontades! Nem muitas, nem poucas, mas algumas para que não me sinta conformista.
Não que eu seja mimada, por que sempre mereci tudo o que tive.
Mas tenho vontades, coisas que qualquer ser humano saudoso também desejaria...
Tenho vontade de estar com várias pessoas ao mesmo tempo.
Tenho vontade de ouvir várias vozes sem me confundir.
Tenho vontade de falar várias coisas diferentes com várias pessoas.
Tenho vontade de compreender a raça humana: tão infeliz, tão amargurada e tão pobre em espírito.
Tenho vontade de falar “umas verdades”, mas - para o bem dos que me cercam- consigo me conter.
Tenho vontade de estar em vários lugares.
Tenho vontade de experimentar novos jeitos de viver, de enxergar o mundo.
Tenho vontade de conhecer outra realidade, mas de poder continuar na minha.
Tenho vontade de saber o que ninguém sabe, de desvendar os maiores segredos da história e o que nenhum livro nunca contou.
Tenho vontade de escrever sobre tudo e todos, mas me faltam algumas palavras e um modo de juntá-las para conseguir isso.
Tenho vontade de conhecer quem marcou a história da humanidade.
Tenho vontade de acreditar em algumas coisas das quais duvido, mas acho bonito.
Tenho vontade de ter paciência e tolerância com os outros e comigo mesma.
Tenho vontade de compreender o que não consigo e também o que insisto em não “dar conta”.
Tenho vontade de enxergar as várias coisas boas que a vida coloca em meu caminho e que as vezes são escondidas pelos problemas.
Tenho vontade de ter o corpo leve como uma pluma para assim poder dançar com a sua naturalidade.
Tenho vontade de confiar cegamente e esquecer meus dois pés atrás, mas minha consciência não me permite.
Tenho vontade de correr como um leopardo para que enquanto faça isso,  nenhum problema consiga alcançar minha velocidade.
Tenho vontade de voar, não em avião por que isso é fácil, mas de fazê-lo tocando as nuvens, sentindo o calor acolhedor do sol e tendo a visão dos pássaros.
Tenho vontade de arriscar, me atirar em algo que eu realmente deseje.
Tenho vontade de me precipitar, realizar algo sem calcular os riscos.
Tenho vontade de parar com as minhas vontades! De parar de desejar aquilo que não está em mim, não é de minha natureza. Aquilo que pode ser ótimo para os outros, com os outros, entre os outros, mas não pra mim.
Gosto de ser quem sou a minha maneira: às vezes melancólica, às vezes entusiasmada e algumas até frustrada. Mas sou feliz como sou, com o que tenho e claro, desejando aquilo que tenho vontade.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Motivo

"Eu canto porque o instante existe 
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias, 
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico, 
se permaneço ou me desfaço, 
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada."

Grande Cecília Meireles! Faço de suas palavras as minhas para a primeira postagem desse blog, que também teve seu nome inspirado em outra frase de minha poetisa preferida "Se em um instante se nasce e em um instante se morre, um instante é o bastante pra vida inteira."
Portanto, colocarei aqui "nesse instante" as palavras que serão o bastante para quem me conhece saber o que estou sentindo, quem me ouvir saber o que digo, quem me interpretar, bem ou mal, poder saber das palavras que saíram de minha própria mente quem eu realmente sou.
Aqui estarão crônicas, poesias, reportagens, músicas, tudo o que me chama a atenção e desperta em mim uma vontade incontrolável de humildemente escrever sobre o que se passa na cabeça, e claro, no coração de
uma menina que certeza mesmo, só tem daquilo que sente e coloca no papel, ou melhor, nas páginas de um blog.