terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Insônia

    Madrugada. Já virou e revirou na cama várias vezes, mas o sono não vem.
    Admira a lua cheia e isso a conforta: há alguém maior que ela  no comando do Universo. O brilho na noite escura, mesmo sendo lindo e hipnotizador, a incomoda pela claridade que invade o quarto através da janela sem cortinas. Esconde o rosto sob o travesseiro, mas desiste e entrega-se ao luar.
    Vem, determinado a atormentá-la, um mosquito barulhento que, caso se conformasse apenas em picar, sem seu zumbido irritante, não seria recebido com a indelicadeza de seus tapas. Em vão, tenta matá-lo mas prefere cobrir-se, deixar que ele desista e vá picar alguém que, com mais sorte, consegue dormir. O calor fica insuportável e manda a coberta para longe, levanta-se, abre o armário e procura no escuro o frasco de repelente.
     Volta a deitar-se, tendo mais repelente na pele do que no frasco e rapidamente fica livre do barulho do inseto. Vira para um lado da cama e vê a porta do banheiro, incomoda-se ao imaginar que seu sono pode ter ido pelo ralo e o barulho da água do último banho ainda descendo por ele, também se torna incômodo.
Levanta mais uma vez e fecha a porta. No caminho entre ela e a cama, percebe seu computador. Seria uma ótima hora para escrever, uma excelente distração que tiraria todas as esperanças de pegar no sono. Por mais que  não conseguisse, seu corpo implorava por descanso. Precisava fazer alguma coisa.
     Começou a cantar baixinho, mas obteve efeito contrário, acordou mais ainda quando as músicas lembraram-na de momentos, pessoas e lugares. Mudou o repertório para as músicas de ninar que funcionavam desde bebê, mas desta vez, não resolveram e despertaram muitas saudades.
     Levantou os olhos para a prateleira de livros e foi mudar os finais de suas histórias. Transformou o início de algumas que lhe parecia muito previsível, chato e sem imaginação. As páginas receberam personagens mais intensos, conflitos mais instigantes, lugares mais atrativos. Sem desrespeitar a obra de cada autor,  fez as alterações que agradavam mais sua personalidade de leitora e gastou horas nessa brincadeira.
     Escutou as patinhas do cachorro do lado de fora da casa e sentiu-se protegida; ele sempre esteve embaixo de sua janela, como um guarda fiel, um grande protetor, o mais corajoso do mundo. O animal continuou em sua ronda e ela, em sua noite, sem dormir.
     Lembrou-se de como estava cansada e o ano fora exaustivo, cheio de novidades, entre as quais não estava a insônia. Há muito tempo dormia mal, mas culpava o cansaço, o aborrecimento, a muita comida do jantar, a tigela de açaí, a xícara de café ou o copo de refrigerante antes de ir para cama. Seus hábitos naquele dia tinham sido bem naturais, não abusara de nada e estava bastante tranquila. A única coisa que a irritava eram as pálpebras que não se fechavam.
     Contou carneirinhos, pôneis, estrelas, grãos de areia, gotas do oceano e nada: seus olhos continuavam bem abertos.
     Já impaciente, ficou passando os dedos por entre os fios dos cabelos soltos no travesseiro, fechou os olhos e respirou fundo, quando os abriu, já era dia e ela acoradara de um rápido sonho suficiente para ser lindo...

domingo, 19 de dezembro de 2010

Física

        Pode acreditar que eu seja louca por querer discutir o que já foi observado, testado e comprovado através dos mais confiáveis métodos científicos, mas não me rendo! Tenho a dúvida ao meu lado, ela que já inspirou tantas mentes brilhantes a desafiar o impossível, ultrapassar o imaginário, convencer as cabeças mais duras, comprovar o refutado, relembrar o esquecido e contemplar as maravilhas naturais.
        Entretanto, mesmo que expliquem no quadro verde, branco ou negro aquilo que está além do certo, minha mente se recusa a aplicar, porque entender ela até consegue, mas quando chega a hora de literalmente "provar", bem... a certeza vai por folha abaixo. Não que eu simplesmente não saiba o que esteja fazendo, mas não o faço com a segurança que preciso para estar, no mínimo, confortável.
         Aceito o desafio de não cair e, se o fizer, hei de me reerguer, mesmo contra as Leis da Gravidade. Fugirei da inércia   na maior das acelerações possíveis para que meu deslocamento não seja nulo, ou seja, não voltarei ao ponto inicial. Por mais campos magnéticos que enfrentar, não repelirei o que desejo e atrairei, com toda minha força de vontade, tudo o que hoje não está ao meu alcance. Kepler que se cuide, pois irei além da órbita do planeta, varrerei áreas iguais em tempos semelhantes com a maior velocidade que conseguir.Aprenderei direitinho os mistérios de fórmulas, teoremas, regras e tudo que diga respeito às observações de quem dedicou a vida para entender o que se passa no universo à sua volta.
          Quedas livres? É claro, como Clarice, "Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí? Eu adoro voar!"

domingo, 12 de dezembro de 2010

"Fim"

    Estive por aí contando o tempo. Não foi tarefa fácil, nem consegui obter algum resultado construtivo. Mas tentei desvendar o segredo dos ponteiros e letreiros dos relógios que andam por demais apressados e das folhas dos calendários que cada vez mais rápido se viram.
                Comecei pelo olhar das pessoas mais velhas: afinal, já viram tantas coisas nesse mundo e carregam tantas marcas e efeitos do tempo que pelo menos alguma pista do quão corrido ele é poderiam me dar. Mas, para a surpresa de uma inexperiente jovem, nenhum deles se mostrou satisfeito com o que tinha observado, queria mais!Os donos dos olhares gostariam de fazer tudo de novo, entretanto com mais intensidade, mais verdade, mais entrega, mais sentimento e ainda experimentar todas as outras coisas que conheciam ou ignoravam no mundo. Resistindo em me ajudar, essas pessoas pediram que eu colocasse em minha pesquisa o fato de o tempo ser ingrato: quanto mais passa, mais se descobre que não será o bastante para adquirir qualquer mínima sabedoria.
                Já entre os maduros, percebi que deixam para sentir que tempo corre apenas nas dores do corpo, nas visitas aos médicos e nos cabelos brancos que começam a ficar freqüentes, já na correria do dia-a-dia, nas preocupações e afazeres cotidianos, tornam-se escravos do relógio, dependentes de horários rígidos, manutenção de agendas lotadas com compromissos que têm data, hora e local marcados para evitar imprevistos e perca de tempo. O tempo, para a realização de alguns, passa a ser sinônimo de dinheiro e cada segundo deve ser garantido e preenchido com ocupações que valem como ouro.
                Voltei-me então para os jovens cheios de vida, alegrias, com ansiedades saindo pelos poros da pele e pressa incomparável de viver intensamente cada segundo, famosos adeptos ao “Carpe Diem” e encontrei um poço sem fim de emoções atropeladas, momentos vividos ao acaso, sem serem aproveitados na totalidade por essa idade teimosa mais rápida que o tempo, ignorando que ele não admite concorrência e cobra altos preços por cada inconseqüência cometida em nome de banalidades, atitudes impensadas e precipitadas de quem julga ter sempre razão, mas que nem sempre está certo e corre os grandes riscos da frustração.
                No outro e primeiro extremo das fases da vida, revolvi procurar as crianças, mas para elas presente, passado e futuro não fazem sentido algum, pois o que importa é que um dia venha depois do outro, noites caiam e dias amanheçam na ordem simples e natural dos fatos do mundo. Sem previsão, preocupação, chateação, apenas obedecendo à direção dos caminhos da vida.
                Sem conclusões concisas, me lembrei da afirmação de Chaplin “a vida é uma peça de teatro...” e agora, tenho o tempo como a rubrica do roteiro de nossas vidas que silenciosamente, sem ser mostrada ou percebida por quem assiste, vai guiando nossas ações no palco do destino e é, sem que ninguém possa notar, na última cena de nossas interpretações antes que a cortinas se fechem, a palavra final de nossa existência.  

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Fotografia

Acabei de voltar. Ainda estou um pouco zonza, a vista turva. Deve ser um dos efeitos do tempo. Eu estava no passado, revivendo momentos, reencontrando pessoas, sentindo mais uma vez seu toque, cheiro, as texturas macias de suas peles e roupas e seus abraços calorosos, cheios de saudades.
Mais uma vez, pude escutar os risos que, pelo menos naqueles instantes de festa, eram desprovidos de preocupação. Experimentei a mesma comida, provei o mesmo refrigerante, proferi as mesmas palavras. Passei por tudo aquilo graças ao que estava guardado na lembrança e foi reanimado por um pedaço de papel.
Papelzinho colorido, que um dia já foi mais, mas que ainda conserva as cores das roupas, dos cabelos, dos olhos e das paisagens em geral onde aquelas cenas congelaram-se. Olhares atentos ao flash, alguns meio desviados, outros focados em um horizonte que se perdia no infinito.
Abraços que foram dados apenas para a foto, outros muito sinceros e verdadeiramente carinhosos, sendo estes os que exclusivamente consegui repetir, já que os primeiros foram tão breves e sem sentido que se perderam no tempo e nas voltas que a Terra deu.
Fisionomias que já estavam sendo esquecidas, perfumes que já perdiam seu aroma, companhias que se desuniram, pessoas que seguiram destinos e caminhos diferentes, antes tão próximas e presentes mas agora, estão na calçada contrária de minha vida, separadas por uma movimentada e perigosa rodovia, a do esquecimento, passíveis  de visão apenas por vislumbre.
Consegui, com o esforço da memória, voltar ao passado e, não sei se certo ou errado, fazer tudo exatamente igual. Talvez por insegurança e medo de arriscar-me novamente ou pelo simples fato de saber que aquela viagem pelo tempo não passava de recordações que não trariam de volta nada daquilo que o tempo me tirou e só machucariam mais este meu coração que sofre por saudades.  

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Ser ou não ser

É fato. Ninguém precisa mentir, inventar uma auto-confiança inabalável só pra impressionar quem já tem certeza de que erra.
Toda vez que gostamos de alguma coisa e entregamos muito mais que o nosso corpo, mas por completo a nossa alma em nome de causas e paixões: pelo estudo, pela arte, pelo trabalho, pela família, por qualquer coisa que preencha o tempo, estamos também esperando ser os melhores naquilo que fazemos. Subitamente, o mundo nos mostra que não somos os únicos a nos dedicarmos, nos comprometermos e escancara do mais doloroso modo que ainda falta muito para a gente ser o que pensa que é.
Então, chega o momento de provar ao mundo que você pode levantar-se toda vez que “puxarem o seu tapete”; que pode sorrir mesmo que lhe deem motivos para chorar desesperadamente; que pode persistir mesmo que sua vontade seja de esconder-se em um canto escuro ou correr para o colo da mãe como uma criança apavorada; que pode levar quantos tapas forem precisos, mas não se calará e dirá, tão delicada e sutilmente, palavras que doerão mais que qualquer agressão.
Não se acostume. Não se renda. Não desista. Há muitos motivos para persistir. Seus sonhos são uns deles: dão força, raça, determinação, coragem e ousadia. Ainda há quem a ama, quer vê-la no alto e dizer “eu sabia que chegaria lá”, quem torce por você e quer muito aplaudir seus sucessos.
Mas o mundo está aí e ele não é bonzinho com ninguém. Nunca o foi e não será. Sempre haverá dificuldades, verdadeiras montanhas no meio do caminho, empecilhos, decisões difíceis de serem tomadas, caminhos incertos a serem percorridos e destinos nada previsíveis.
Conte com os gestos de quem a ama, carinho de quem quer vê-la feliz e com as palavras de Margareth Drabble: “Quando nada é certo, tudo é possível!” 

Eu ainda acredito

E eu ainda acredito...
Por mais que aquilo que eu  assista na TV ou leia nos jornais, me incentive ao contrário, eu ainda acredito...
Que existe jeito para o mundo, que não está destinado ao fim.
Que as pessoas podem mudar os rumos da humanidade mesmo com pequenos gestos.
Que assim como a ignorância é o primeiro passo para derrota, a educação é o princípio do trabalho, cujo resultado é o sucesso.
Que existe gente que além de criticar, arregaça as mangas, sem medo de se sujar, e coloca as mãos para resolver os problemas mais sujos desta sociedade moderna.
Que há quem seja honesto, e honre o nome que diz ser o seu, e siga as leis dos homens e antes de qualquer coisa, as de Deus.
Que muitos se dedicam a um trabalho digno e não exploram o seu semelhante.
Que o pré-conceito cai a cada vez que uma mão se estende para ajudar outro ser humano.
Que alguns só olham uma pessoa de cima para baixo quando vão ajudá-la a se levantar.
Que pensamentos são a ferramenta para as mais fabulosas ações.
Que a cultura é uma das riquezas mais preciosas da sociedade.
Que sorte não é apenas um trevo de quatro folhas, é cada oração e cada ação realizada com fé.
Que a juventude não é apenas símbolo de rebeldia ou aborrecimento. É aquela que constrói um futuro.
Que livros não são lições, mas as experiências de alguém compartilhadas com o resto do mundo.
Que a liberdade reina, mesmo que ainda exista quem tente impedi-la.
Que a vida resiste enquanto milhares atentam contra ela.
Sonho? Utopia? Ilusão? Prefiro chamar de SENTIMENTO e claro, de PERSEVERANÇA ou mesmo INSISTÊNCIA quanto essa nossa existência humana que parece perder sua essência a cada vez que fatalmente, deixa de ACREDITAR.

domingo, 5 de dezembro de 2010

Mais uma de amor pela arte

Queridos amigos, os que me orgulharam tanto no esplêndido Musical "Mamma Mia!" em Carmo do Rio Claro e aos quais eu escrevi esta carta antes mesmo de começarem a ensaiar e já certa quanto ao sucesso que fizeram,
Ao iniciar algo, deve-se saber a onde quer chegar e principalmente ter ciência de que encontrará muitas pedras pelo caminho. Chegar ao lugar almejado é o chamado “sucesso” e ultrapassar as pedras deve ser entendido como “superar os desafios”.
Ninguém é perfeito, como seres humanos somos incapazes de saber sobre tudo ou todos. Logo, estamos em constante aprendizagem. Disse Descartes “daria tudo o que sei em troca da metade do que ignoro.” Que nessa relação que será, ou melhor, está sendo construída, vocês possam oferecer todo o conhecimento que possuem, mas também estejam abertos a aprender.
Façam o que deve ser feito, com amor, dedicação e alegria, superando desafios, sem porém ultrapassarem seus limites.
         Sejam intensos, sem contudo, ofuscarem o brilho alheio.
         Busquem a perfeição, mas não se esqueçam de que há limites para ela.
         Caso tenham alguma dificuldade, encare e vença-a.
         Não se esqueçam de que tudo o que é realizado por um grupo depende de cada um de seus membros. Por isso, quando tomados pelo desânimo, lembre-se  de que é essencial para um fim comum.
         Talvez o que você acha, não seja o melhor para você. “Não existem papéis pequenos, existem atores pequenos.” Sejam grandes em alma, em sentimento, em emoção e em confiança: reconheçam seus defeitos, mas não deixem de acreditar em suas virtudes.“Nunca deixe de acreditar em você, mas não duvide sempre dos outros.”
Não mexa em uma ferida caso não possa cura-la. Siga seu coração e seu instinto mas não deixe de pensar antes de fazer ou falar algo a alguém.
         “Quem não entende um olhar, muito menos uma longa explicação.” Transmitam a seus espectadores todas as emoções de suas personagens não apenas pelas palavras que saem de suas bocas, mas principalmente pelo brilho de seus olhares.
         Sejam corajosos e fiéis aos seus ideais e persiga-os incessantemente.
         Que o medo seja escada que os leve as maravilhas do inesperado, a queda um paço de dança que embeleze e marque sua trajetória, o sonho uma ponte que os faça alcançar a realidade e que a busca da felicidade seja o primeiro passo para o encontro da mesma.  “Só vencem aqueles que acreditam na vitória”, mas não basta apenas acreditar, é preciso fazer por merecê-la.





       

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Sonho, esforço e aplauso.

A arte, seja ela qual for, só cumpre sua função quando é capaz de emocionar, mesmo sendo ou não sofisticada, popular ou erudita, rica ou pobre, drama ou comédia, abertura ou encerramento de eventos, anos, viagens ou vidas. Quando deixa em cada um a sensação de que é fácil, prazerosa, realizável e principalmente, de que se é feliz ao exercê-la.
O que não falta são conceitos sobre o que é bom ou ruim, interessante ou aborrecido, audacioso ou simples, mas eu costumo definir o que me agrada como aquilo que é capaz de despertar interesse, uma vontade incontrolável de presenciar mais uma vez ou até de fazer o mesmo. Ser leve, livre e solta como só a arte permite, abrindo caminhos para viagens sem rotas, caminhos inexplorados, destinos sem limites, nada previsto apenas a dedicação àquilo que se ama praticar.
Toda vez que vejo alguém dançar fico pensando em como pode sincronizar tão bem os movimentos do corpo aos talentos da alma, equilibrar-se num balde de emoções em que se torna envolvido, ser leve com os pesos da cobrança, solto com os limites do corpo e sincero de todo o coração ao se entregar ao ritmo que segue.
A música é, então, a obra de todo ser humano que transmite melodia ao que pensa, sente e vive aliviando suas dores, intensificando seus sentimentos mais sinceros, valorizando seus talentos mais especiais, camuflando seus piores defeitos, superando os mais angustiantes medos e exercendo uma das mais brilhantes capacidades humanas: a expressão.
Vencer a timidez, controlar o coração acelerado e os membros trêmulos, encarar o desânimo, horas intermináveis de trabalho, a cobrança e o nervosismo de admirar uma platéia cheia são alguns dos tantos desafios para quem aceita lutar pela causa da cultura e esbanjar simpatia no palco onde pisa, conseguindo criar uma atmosfera perfeita para brilhar mais que os holofotes que cegam, mas não impedem de enxergar a alegria de quem assiste.
Acabo de chegar de uma dessas oportunidades que se têm de admirar quem SABE e AMA encantar corações e despertar interesse pela melodia: do Musical My Dream através da música e da dança. São todos os envolvidos merecedores de aplausos pelo evento, em especial a tão dedicada e talentosa professora Rafaela, que com simpatia e carinho aplaude as realizações de seus alunos.
Tenho ainda, motivos para aplaudir e abraçar mais calorosamente pessoas em especial. Acompanhei a angústia de quem não tinha seu figurino em mãos a menos de duas horas da apresentação, de quem machucou o pé e teve medo de não recuperá-lo a tempo de fazer o que mais ama – dançar - e de quem, mesmo detestando física, teve que superar os limites que a gravidade e todas as leis dos movimentos lhe impõe para se entregar a paixão pelo palco. E é por isso, que quando respectivamente Carol, Mônica e Brenda me sujaram de tinta preta do rosto e purpurina da maquiagem eu agradeci a elas e a Deus por lhes concederem seus talentos, pois era “sujeira de arte”, a que todos nós precisamos para tornar o mundo um pouco menos previsível e que faz mais é enfeitar a alma, convidando-a a também explodir de felicidade.
Um sonho, várias vidas envolvidas, lágrimas escorridas, sorrisos escancarados, suor derramado e aplausos merecidos.