domingo, 21 de agosto de 2011

Amanhã é 22

        Amanhã é 22, são nove dias para o fim do mês. Faz tanto tempo que eu não o vejo, queria o seu beijo ao me ver chegar, antes de dormir, ao acordar, no meio do dia outra vez. Queria que aquela noite quando sentamos apenas nós dois para ouvir as músicas que gostamos nunca tivesse acabado...
       Queria estar perto, o suficiente para o ver mais, para demonstrar meu carinho além do telefone e me largar em seus braços com mais frequência. Queria roubar com você um pedacinho de doce antes do almoço, sair comendo escondido até o quintal e espalhar as migalhas pelas roseiras para não deixar pistas. Queria comer as frutas que descasca com todo o cuidado ou a carne que pica tão pequena como se meus dentes ainda fossem de leite. Queria ouvir o barulho do carro chegando e correr para abrir o portão, lembra-lo pela milésima vez de não entrar com os sapatos sujos em casa e ouvi-lo chamar pelo cachorro mais destrambelhado da face da Terra. Queria me sentar ao seu lado em todas as refeições e escutar sem pressa suas histórias, declamar os poemas que sabemos e gastar o tempo ao redor de uma mesa evitando que coma o que não deve.Eu queria muito cochilar com a cabeça em seus ombros todos os dias!
        Eu realmente gostaria que tivéssemos mais tempo juntos para que me ensinasse o que eu preciso saber, me fizesse rir com seus casos, me mostrasse o que é certo e errado e me instruísse pela vida com o que já sabe. É seu aniversário amanhã e sabe que ganha mais responsabilidade a cada ano: é responsável pelo sorriso que me arranca ao lembrar de você mesmo quando estou triste ou chateada, pela alegria que me dá ao saber que está bem, pela preocupação quando adoece, cai do cavalo, arrebenta a mão em um facão ou sai de madrugada sem agasalho!
        Nada disso, entretanto, é maior do que o dever que tenho de amá-lo, não por ter o posto de avô, mas por ser o MEU avô. E é exatamente por isso que mesmo que eu queira estar sempre perto de você, sei que não existe distância para nós, que você e vovó estarão sempre comigo aonde quer que estejamos.
        Feliz aniversário, vovô! Ah, e nunca será demais repetir o quanto sua florzinha o ama!

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Coca-cola

        É rara uma propaganda criativa em meios onde a comunicação praticamente se restringe ao apelativo. Uma exceção deve ser feita a propaganda da Coca-Cola que, em um golpe de bom gosto, elegeu e provou com números a certeza mais difícil de se acreditar: os bons são maioria.
        Para os mais pessimistas, tudo bem, continuem achando que o mundo vai acabar mergulhado na crueldade que gera mais crueldade em um ciclo eterno, mas não ignorem o fato de que ainda há quem faça o bem, mesmo com todas as forças negativas e más influências que contaminam o meio. Diante de um quadro assustador de barbaridades e absurdos, ainda é possível enxergar resquícios de boas ações e intenções.
        Enquanto escolas vivem a calamidade do desrespeito, existem alunos e professores capazes de manifestarem carinho e apoio em uma fase difícil de uma colega. Mesmo que milhões estejam morrendo vitimados por guerras insanas que não levam a lugar algum, crianças nascem como sinal de que Deus não desistiu do mundo. Por mais que a realidade seja desigual para muitos, as maiores virtudes prevalecem intactas entre exemplares, raros sim, mas não impossíveis, de todas as classes, religiões e raças. Apesar da fúria com que a natureza reage à destruição covarde  e irracional do homem, o paraíso se faz em cada jardim cuidado com amor.A prática é a melhor propaganda e adesão mais importante é a espontânea.
        Assim como na música de Ivan Lins, depende apenas de nós reverter a situação a favor do bem. Violência, miséria, fome, corrupção e tantos outros problemas são gravíssimos e não devem ser ignorados, pelo contrário, precisam ser aceitos para que possam ser combatidos. Acreditar na propaganda do horário nobre não significa ingenuidade, quer dizer que o maior trunfo de quem acredita em um mundo bom e trabalha para construí-lo ainda não foi perdido: esperança pode parecer clichê, mas é a única maneira de simplesmente não ignorar o desafio de continuar, não inerte na intolerância, preconceito e desrespeito, mas de um jeito bem melhor que começa na boa-vontade de cada um.