Acabou. Não dá mais. Adeus. Até qualquer hora. Podem soar tão naturais para quem assiste imparcial, mas só quem já sofreu por não digerir bem o fim de alguma coisa sabe o que é ter que virar a esquina e se separar de tudo e todos que ficaram no outro quarteirão.
O término gera sofrimento, é praticamente sinônimo de lágrimas vertidas. Chora-se no final de filmes, novelas, músicas que lembram alguém, livros envolventes, viagens marcantes, despedidas, mas principalmente, entrega-se ao soluço quem é obrigado a deixar ir embora quem fez a diferença e tornou-se mais importante para o coração do que a razão ousaria permitir.
A pessoa pode ter ido embora, mas sua presença vem à tona de 45 em 45 segundos, nenhum minuto livre da existência que marcou a sua. A imaginação fica mais agradável que a realidade, ou não, a partir do momento em que começa a construir as possibilidades do que um certo alguém poderia estar fazendo.E o pior é que sempre as mais temidas são cogitadas pela gota de esperança que insiste em não secar.
O chão se abre e a vontade é de deixar a porta sempre aberta, para que aquela pessoa volte quando quiser para ficar, senão para sempre, por um bom tempo, como fizera um dia. Que chegue com seu sorriso, abrace com a ternura característica, ou até mesmo chorando, não há problemas em consolar, pois o ombro sempre permanecerá amigo. Que ligue e diga as meias palavras mais esclarecedoras que já ouviu. Que venha de alma lavada pelo tempo e pela distância e a consciência limpa pela certeza dos próprios sentimentos. Que conserte os estragos de ações e palavras precipitadas, reafirme tudo o que um dia soou com a naturalidade das verdades absolutas. Que roube um beijo distraído para apagar os soluços das noites no silêncio. Que preencha o vazio destinado aos que mais significam nas fases da vida. Que se ofereça para matar o tédio, dividir a guloseima predileta e prometa não mais ir embora.
Lindo, comovente.Nada funcional, nem praticável. A perda existe e para ela chegar basta ter, ou achar que tem, algo ou alguém. Ninguém é dono de ninguém e as pessoas são livres para ir embora, sem desculpas e geralmente com pouquíssima consideração. O que conta na hora da despedida, do deixar tomar outros rumos, não é a ausência de sofrimento porque isso é insensibilidade, mas saber lidar com ele de forma que não seja curto demais como se nada tivesse acontecido, nem tão longo como se o mundo fosse acabar porque as expectativas receberam um ponto final.