sábado, 24 de setembro de 2011

Resumo

        Nos últimos dias tive acesso a declarações que me deixaram aterrorizadas ao ponto de me fazerem recorrer novamente a este blog que, confesso, estava meio abandonado. Tais depoimentos estavam presentes em uma revista voltada ao público feminino e pertenciam à mulheres visivelmente bem sucedidas, ou que assim se faziam parecer, sobre o que as fazia elevar a própria auto-estima e as respostas me deixaram perplexa: a maioria esmagadora disse que nada melhor para fazê-las sentir mais confiante com si mesmas do que uma boa maquiagem. Como diria uma amiga, estagnei.
       Será mesmo que a auto-confiança está ligada a duas ou três camadas de pó fino e caro que cobrem os rostos? Será que um salto é capaz de elevar uma mulher perante as demais? Será que esconder o abatimento, o cansaço e o estresse presentes em toda pessoa normal resolve-os? É realmente importante estar bem produzida para estar bonita ou feliz com a própria existência? Sem estar nos padrões aceitáveis de civilidade estética é impossível se inserir em um grupo?
       Por que o próprio valor não pode valer mais que a aparência?Sentir-se útil, praticar a solidariedade, entrar em equilíbrio com o meio e tentar, nem cogito conseguir, se relacionar melhor com as pessoas a sua volta são atitudes muito mais eficazes para estabelecer a confiança e o amor próprio. Talvez tornar a maquiagem, o cabelo e outros padrões estéticos donos de sua personalidade, nem sejam tão dramáticos como aqui estou cogitando e eu seja uma doida que não apóia o uso da  maquiagem como uma máscara para a verdadeira face, que disfarça a digna exposição dos sentimentos e ainda torna alguém dependente dela para se sentir a vontade em um mundo de esteriótipos. A propósito, um retoquesinho aqui, outro ali, não matam ninguém, mas fazer disso uma condição para a felicidade é deixar-se resumir demais a potinhos jogados na bolsa, ou guardados sobre a pia do banheiro.