Acabei de ouvir a voz de um homem que trabalha desde que se sustentou sobre as próprias pernas. Quando teve a oportunidade de colocá-las para o alto, preferiu continuar sobre elas pelos pastos, colhendo, plantando, criando para aumentar números que os poderosos proclamam de boca cheia: o país cresce! Mas não amadurece, não apoia, brinca com a cara de quem o constrói. Esse mesmo homem a quem me refiro, entrou para as estatísticas das vítimas de delinquentes - para ser politicamente correta, afinal, vagabundo é um termo (que polui seu texto) pejorativo, ofensivo e pode causar danos irreversíveis à mente do sujeito que furtou sem dó nem piedade o que outra pessoa levou uma vida toda para construir. (Aqui me recorro à Martha Medeiros: "Se você tem mais de nove anos, sabe reconhecer uma ironia".)
Um furto, um assalto, um sequestro, um golpe e tantos outros são unidades que se transformam em milhares e abalam, não só a propriedade, mas a integridade física e psicológica, os planos futuros, as metas. Vão além do prejuízo: são, não mínimo, frustrantes para quem paga seus impostos e os vê sendo desviados sem o menor escrúpulo, tomando destinos diferentes do prometido na hora da voto.
Ser honesto é ser burro, incompetente, idiota, até ridículo aos olhos de quem tira vantagens passando por cima dos outros. É acreditar em valores que se tornam obsoletos na velocidade em que a desordem ganha campo em nossa organização social. É ser desinformado ao ponto de não saber que a "ilustre Comissão dos Direitos Humanos" irá defender qualquer um que se fizer de coitado e colocar a boca no trombone contra as "forças opressoras".
Direito Humano é o de ter educação decente, tratamento médico qualificado, polícia preparada, acesso à informação e cultura. Não é sair por aí protegendo quem não permite que a vida progrida e é incompetente ao ponto de ter que tirar dos outros o que não consegue por esforço próprio. Sem aquela desculpa de que nem todos têm oportunidades, por favor, pois existem suficientes exemplos de pessoas que saíram da miséria, do nada, e através do próprio trabalho, talento e esforço conseguiram melhorar de vida.
Esforço é a ação em desuso, o caminho mais fácil é enganar os trouxas que trabalham, que ainda se importam com os valores morais. Como a ardilosa e feliz alegoria de Gil Viecente: Ninguém quer trabalhar, mas Todo Mundo quer vida boa. Ficamos, nós, com a revolta no colo e os abraços atados, esperando a nossa vez de perder o que conquistamos para quem não se deu ao trabalho de tentar.
Mostrando postagens com marcador opinião. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador opinião. Mostrar todas as postagens
terça-feira, 29 de novembro de 2011
sexta-feira, 11 de novembro de 2011
Orgulho e vergonha: escolha sua dose!
Tenho muito orgulho de meu país: do povo ao qual pertenço e da memória (mesmo que alguns a tenham como insignificante) que com ele divido, valorizo suas belezas naturais e, acima de tudo, amo a língua que nos une! Meu patriotismo, entretanto, não chega ao limite do ridículo em acreditar que tudo por aqui é perfeito, pelo contrário, ele me faz perceber o quanto estragam, maltratam e limitam meu Brasil.
Tenho muita vergonha de meu país: da forma como trata os que dependem de políticas públicas - fazendo delas um alicerce eleitoral - de sua pouca formação, dos erros de governantes, que não se interessam pelo povo, e de governados, que não se interessam pelo Poder. É ridículo como exige de seus professores, policiais e médicos, mas não lhes dá meios para trabalhar, como se esquece das próprias qualidades e supervaloriza o exterior. Longe de autossuficiência, protecionismo ou qualquer organização radicalmente fechada, mas o segundo plano em que os brasileiros colocam seu país é algo que passa do vergonhoso. Exatamente por isto, o Brasil carece de confiança: não pune, não insiste, não pratica a ordem e, assim, fica longe de alcançar o progresso.
Nada mais expressivo no que tange à vergonha do que a corrupção que assola (e atola) tudo por aqui. A sujeira que a politicagem espalha já não cabe debaixo do tapete e passa tranquilamente, como se fosse normal, perante nossos olhos, alguns indignados, outros que simplesmente deixaram de querer assistir ao espetáculo repugnante que constitui nosso cenário político.A corrupção não gera apenas prejuízos econômicos e sociais, tirando dos menos favorecidos e enriquecendo os que tiverem a sorte (e foram ardilosos o suficiente) de se elegerem e ingressarem no "sistema", seu maior mal é a inércia que provoca, congelando o discernimento dos espectadores.Mergulhados e assim congelados, muitos já perderam a capacidade de acreditar na honestidade e chegamos ao ponto de não reconhecê-la mais, confundindo-a com heroísmo.
O policial que essa semana recusou dinheiro e prendeu um poderoso traficante não é uma exceção à taxação que fazem a respeito de sua, e qualquer outra, corporação. Ele é a regra, ele obedece, como bem disse durante a entrevista, os valores que recebeu de seus pais, os outros - corruptos, bandidos - é que são uma exceção, infelizmente mais expressiva.Orgulho? Imenso! Em saber que os íntegros ainda são reconhecidos, mas não são heróis, são gente comum que não se deixou envolver por essa teia de falcatruas e inconsequências e preza pelo amor e respeito de quem ama, e até de quem não conhece. A maior preocupação é ver que a honestidade tornou-se rara o suficiente no meu país para ser transformada em manchete de jornal, talvez com o intuito de (merecidamente) divulgar os poucos praticantes, ou então para não deixar acabar a crença em mudanças e na vitória, um tanto quanto utópica, do bem.
Tenho muita vergonha de meu país: da forma como trata os que dependem de políticas públicas - fazendo delas um alicerce eleitoral - de sua pouca formação, dos erros de governantes, que não se interessam pelo povo, e de governados, que não se interessam pelo Poder. É ridículo como exige de seus professores, policiais e médicos, mas não lhes dá meios para trabalhar, como se esquece das próprias qualidades e supervaloriza o exterior. Longe de autossuficiência, protecionismo ou qualquer organização radicalmente fechada, mas o segundo plano em que os brasileiros colocam seu país é algo que passa do vergonhoso. Exatamente por isto, o Brasil carece de confiança: não pune, não insiste, não pratica a ordem e, assim, fica longe de alcançar o progresso.
Nada mais expressivo no que tange à vergonha do que a corrupção que assola (e atola) tudo por aqui. A sujeira que a politicagem espalha já não cabe debaixo do tapete e passa tranquilamente, como se fosse normal, perante nossos olhos, alguns indignados, outros que simplesmente deixaram de querer assistir ao espetáculo repugnante que constitui nosso cenário político.A corrupção não gera apenas prejuízos econômicos e sociais, tirando dos menos favorecidos e enriquecendo os que tiverem a sorte (e foram ardilosos o suficiente) de se elegerem e ingressarem no "sistema", seu maior mal é a inércia que provoca, congelando o discernimento dos espectadores.Mergulhados e assim congelados, muitos já perderam a capacidade de acreditar na honestidade e chegamos ao ponto de não reconhecê-la mais, confundindo-a com heroísmo.
O policial que essa semana recusou dinheiro e prendeu um poderoso traficante não é uma exceção à taxação que fazem a respeito de sua, e qualquer outra, corporação. Ele é a regra, ele obedece, como bem disse durante a entrevista, os valores que recebeu de seus pais, os outros - corruptos, bandidos - é que são uma exceção, infelizmente mais expressiva.Orgulho? Imenso! Em saber que os íntegros ainda são reconhecidos, mas não são heróis, são gente comum que não se deixou envolver por essa teia de falcatruas e inconsequências e preza pelo amor e respeito de quem ama, e até de quem não conhece. A maior preocupação é ver que a honestidade tornou-se rara o suficiente no meu país para ser transformada em manchete de jornal, talvez com o intuito de (merecidamente) divulgar os poucos praticantes, ou então para não deixar acabar a crença em mudanças e na vitória, um tanto quanto utópica, do bem.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Covardia
Uma vez me perguntaram se eu era intolerante a algum tipo de gente e eu não tive dúvida em dizer que sim, não tolero gente covarde. Não a covardia de quem tem medo, receio ou preocupação, mas sim, covardia de quem se aproveita da fraqueza dos outros para manipular, ofender, castigar e subjugar, de quem não dá chances de defesa e abusa de seus direitos de forma perversa, aproveitando para diminuir quem está a seu redor, maltratando, ignorando e até agredindo.
Meia dúzia de covardes fazem um estrago tremendo: de famílias desestruturadas pautadas em figuras dominadoras e aparentemente sem opositores, até países que têm no poder semelhantes aberrações morais, porque não pode ser humano aquele que se impõe pela força. Existe muita maldade no mundo e, bem no fundo dela, existem covardes que precisam de armas, bombas e muito dinheiro para se fazerem obedecer. Qualquer influência - política, econômica e até sentimental - é motivo para estar além das demais criaturas de um território estabelecido.
É difícil pensar na covardia em tempos atuais, quando o acesso às melhores coisas do mundo é cada vez mais fácil, nossa imaginação tem menos trabalho quando se pauta em séculos passados ou em sociedades fechadas que não se integraram ao querido "mundo ocidental". Um pequeno esforço, entretanto, permite identificar tanta gente que não consegue respeito sendo bom e apela para a violência. Quem não é obedecido, faz-se obedecer e, então, quem não tem juízo e bate o pé, arca com as consequências daquilo que, a bem da verdade, é mais insegurança - e me arrisco até a considerar carência.
Covardia tira do sério quem não precisa da arbitrariedade para sentir-se bem perante o espelho, é o comportamento mais traiçoeiro, fraco, revoltante e menos digno de qualquer ser racional. Não podendo erradicá-la, por mais que queira, resta-me apelar para que quem se considere, no mínimo civilizado, não se sujeite a esse tipo de repressão, porque omitir-se, sim, é a maior covardia.
Meia dúzia de covardes fazem um estrago tremendo: de famílias desestruturadas pautadas em figuras dominadoras e aparentemente sem opositores, até países que têm no poder semelhantes aberrações morais, porque não pode ser humano aquele que se impõe pela força. Existe muita maldade no mundo e, bem no fundo dela, existem covardes que precisam de armas, bombas e muito dinheiro para se fazerem obedecer. Qualquer influência - política, econômica e até sentimental - é motivo para estar além das demais criaturas de um território estabelecido.
É difícil pensar na covardia em tempos atuais, quando o acesso às melhores coisas do mundo é cada vez mais fácil, nossa imaginação tem menos trabalho quando se pauta em séculos passados ou em sociedades fechadas que não se integraram ao querido "mundo ocidental". Um pequeno esforço, entretanto, permite identificar tanta gente que não consegue respeito sendo bom e apela para a violência. Quem não é obedecido, faz-se obedecer e, então, quem não tem juízo e bate o pé, arca com as consequências daquilo que, a bem da verdade, é mais insegurança - e me arrisco até a considerar carência.
Covardia tira do sério quem não precisa da arbitrariedade para sentir-se bem perante o espelho, é o comportamento mais traiçoeiro, fraco, revoltante e menos digno de qualquer ser racional. Não podendo erradicá-la, por mais que queira, resta-me apelar para que quem se considere, no mínimo civilizado, não se sujeite a esse tipo de repressão, porque omitir-se, sim, é a maior covardia.
sábado, 24 de setembro de 2011
Resumo
Nos últimos dias tive acesso a declarações que me deixaram aterrorizadas ao ponto de me fazerem recorrer novamente a este blog que, confesso, estava meio abandonado. Tais depoimentos estavam presentes em uma revista voltada ao público feminino e pertenciam à mulheres visivelmente bem sucedidas, ou que assim se faziam parecer, sobre o que as fazia elevar a própria auto-estima e as respostas me deixaram perplexa: a maioria esmagadora disse que nada melhor para fazê-las sentir mais confiante com si mesmas do que uma boa maquiagem. Como diria uma amiga, estagnei.
Será mesmo que a auto-confiança está ligada a duas ou três camadas de pó fino e caro que cobrem os rostos? Será que um salto é capaz de elevar uma mulher perante as demais? Será que esconder o abatimento, o cansaço e o estresse presentes em toda pessoa normal resolve-os? É realmente importante estar bem produzida para estar bonita ou feliz com a própria existência? Sem estar nos padrões aceitáveis de civilidade estética é impossível se inserir em um grupo?
Por que o próprio valor não pode valer mais que a aparência?Sentir-se útil, praticar a solidariedade, entrar em equilíbrio com o meio e tentar, nem cogito conseguir, se relacionar melhor com as pessoas a sua volta são atitudes muito mais eficazes para estabelecer a confiança e o amor próprio. Talvez tornar a maquiagem, o cabelo e outros padrões estéticos donos de sua personalidade, nem sejam tão dramáticos como aqui estou cogitando e eu seja uma doida que não apóia o uso da maquiagem como uma máscara para a verdadeira face, que disfarça a digna exposição dos sentimentos e ainda torna alguém dependente dela para se sentir a vontade em um mundo de esteriótipos. A propósito, um retoquesinho aqui, outro ali, não matam ninguém, mas fazer disso uma condição para a felicidade é deixar-se resumir demais a potinhos jogados na bolsa, ou guardados sobre a pia do banheiro.
Será mesmo que a auto-confiança está ligada a duas ou três camadas de pó fino e caro que cobrem os rostos? Será que um salto é capaz de elevar uma mulher perante as demais? Será que esconder o abatimento, o cansaço e o estresse presentes em toda pessoa normal resolve-os? É realmente importante estar bem produzida para estar bonita ou feliz com a própria existência? Sem estar nos padrões aceitáveis de civilidade estética é impossível se inserir em um grupo?
Por que o próprio valor não pode valer mais que a aparência?Sentir-se útil, praticar a solidariedade, entrar em equilíbrio com o meio e tentar, nem cogito conseguir, se relacionar melhor com as pessoas a sua volta são atitudes muito mais eficazes para estabelecer a confiança e o amor próprio. Talvez tornar a maquiagem, o cabelo e outros padrões estéticos donos de sua personalidade, nem sejam tão dramáticos como aqui estou cogitando e eu seja uma doida que não apóia o uso da maquiagem como uma máscara para a verdadeira face, que disfarça a digna exposição dos sentimentos e ainda torna alguém dependente dela para se sentir a vontade em um mundo de esteriótipos. A propósito, um retoquesinho aqui, outro ali, não matam ninguém, mas fazer disso uma condição para a felicidade é deixar-se resumir demais a potinhos jogados na bolsa, ou guardados sobre a pia do banheiro.
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
Coca-cola
É rara uma propaganda criativa em meios onde a comunicação praticamente se restringe ao apelativo. Uma exceção deve ser feita a propaganda da Coca-Cola que, em um golpe de bom gosto, elegeu e provou com números a certeza mais difícil de se acreditar: os bons são maioria.
Para os mais pessimistas, tudo bem, continuem achando que o mundo vai acabar mergulhado na crueldade que gera mais crueldade em um ciclo eterno, mas não ignorem o fato de que ainda há quem faça o bem, mesmo com todas as forças negativas e más influências que contaminam o meio. Diante de um quadro assustador de barbaridades e absurdos, ainda é possível enxergar resquícios de boas ações e intenções.
Enquanto escolas vivem a calamidade do desrespeito, existem alunos e professores capazes de manifestarem carinho e apoio em uma fase difícil de uma colega. Mesmo que milhões estejam morrendo vitimados por guerras insanas que não levam a lugar algum, crianças nascem como sinal de que Deus não desistiu do mundo. Por mais que a realidade seja desigual para muitos, as maiores virtudes prevalecem intactas entre exemplares, raros sim, mas não impossíveis, de todas as classes, religiões e raças. Apesar da fúria com que a natureza reage à destruição covarde e irracional do homem, o paraíso se faz em cada jardim cuidado com amor.A prática é a melhor propaganda e adesão mais importante é a espontânea.
Assim como na música de Ivan Lins, depende apenas de nós reverter a situação a favor do bem. Violência, miséria, fome, corrupção e tantos outros problemas são gravíssimos e não devem ser ignorados, pelo contrário, precisam ser aceitos para que possam ser combatidos. Acreditar na propaganda do horário nobre não significa ingenuidade, quer dizer que o maior trunfo de quem acredita em um mundo bom e trabalha para construí-lo ainda não foi perdido: esperança pode parecer clichê, mas é a única maneira de simplesmente não ignorar o desafio de continuar, não inerte na intolerância, preconceito e desrespeito, mas de um jeito bem melhor que começa na boa-vontade de cada um.
Para os mais pessimistas, tudo bem, continuem achando que o mundo vai acabar mergulhado na crueldade que gera mais crueldade em um ciclo eterno, mas não ignorem o fato de que ainda há quem faça o bem, mesmo com todas as forças negativas e más influências que contaminam o meio. Diante de um quadro assustador de barbaridades e absurdos, ainda é possível enxergar resquícios de boas ações e intenções.
Enquanto escolas vivem a calamidade do desrespeito, existem alunos e professores capazes de manifestarem carinho e apoio em uma fase difícil de uma colega. Mesmo que milhões estejam morrendo vitimados por guerras insanas que não levam a lugar algum, crianças nascem como sinal de que Deus não desistiu do mundo. Por mais que a realidade seja desigual para muitos, as maiores virtudes prevalecem intactas entre exemplares, raros sim, mas não impossíveis, de todas as classes, religiões e raças. Apesar da fúria com que a natureza reage à destruição covarde e irracional do homem, o paraíso se faz em cada jardim cuidado com amor.A prática é a melhor propaganda e adesão mais importante é a espontânea.
Assim como na música de Ivan Lins, depende apenas de nós reverter a situação a favor do bem. Violência, miséria, fome, corrupção e tantos outros problemas são gravíssimos e não devem ser ignorados, pelo contrário, precisam ser aceitos para que possam ser combatidos. Acreditar na propaganda do horário nobre não significa ingenuidade, quer dizer que o maior trunfo de quem acredita em um mundo bom e trabalha para construí-lo ainda não foi perdido: esperança pode parecer clichê, mas é a única maneira de simplesmente não ignorar o desafio de continuar, não inerte na intolerância, preconceito e desrespeito, mas de um jeito bem melhor que começa na boa-vontade de cada um.
Assinar:
Postagens (Atom)