Nada melhor que o nosso canto. O de gente que amamos também é bom, é ótimo. Mas o nosso cheiro, aquele jeito de colocar os livros sobre a estante, o labirinto do próprio armário, a bagunça das gavetas e a clássica diferença de apertar o tubo de creme dental são os mais puros reflexos da tão querida privacidade. Privacidade para dormir com aquele pijama velhinho, acordar e sair com o cabelo embaraçado, comer com os pés na cadeira da frente e outras coisas que a boa educação não deixam fora de casa.
Chegar depois de um longo e conturbado período fora de casa, foi, no mínimo, um conforto. Só que enfiei na cabeça que não valia apenas voltar, eu precisava deixar ir.E dessa vez não era só porque achei bonito o texto do Fernando Pessoa, aquele que diz que tudo o que chega, chega sempre por alguma razão. Nem o do Caio Fernando de Abreu que afirma estar se livrando de um monte de coisas, ou qualquer outro que mande esvaziar as gavetas e outros dispositivos que só servem para acumular. Eu senti uma necessidade imensa. "Adeus, ao acúmulo." Minha primeira meta para ter um ano diferente.
Resultado? fiz uma faxina de deixar minha mãe, a pessoa mais caprichosa da face da Terra, boquiaberta. Eu literalmente me livrei de coisas que simplesmente não se encaixavam mais em mim. "Ah, porque isto aqui foi fulana que me deu." Ela não fica menos importante se eu não o tiver mais. "Esta coisa foi ciclano que me mandou não sei de onde." Obrigada, ciclano, mas já deixou de me servir há tempos. E a que mais usava: "Guardei tal coisa para me lembrar de tal ocasião" Quer saber? Se foi mesmo tão importante, não é algo material que vai me impedir de esquecer.
Missão cumprida! E altamente recomendada. Além de doar para quem não tem, que é algo muito importante para quebrar a rotina do consumismo a que estamos rodeados, é um ato de caridade para si mesmo: ufa! Não somos Atlas para carregar o mundo nem nas costas, nem nos armários. Ganhou algo novo? Despeça-se do antigo, o que não significa esquecê-lo, mas sim deixar no devido lugar,que é o passado. Passou, foi legal, você se divertiu, se emocionou, conheceu alguém especial, agora, ficar acumulando e se agarrar a tudo isso, não traz nada de volta, aliás, só confirma como somos impotentes em relação ao curso do tempo.
E quanto ao título acima, melhor trocá-lo para "Progresso".
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segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
domingo, 21 de agosto de 2011
Amanhã é 22
Amanhã é 22, são nove dias para o fim do mês. Faz tanto tempo que eu não o vejo, queria o seu beijo ao me ver chegar, antes de dormir, ao acordar, no meio do dia outra vez. Queria que aquela noite quando sentamos apenas nós dois para ouvir as músicas que gostamos nunca tivesse acabado...
Queria estar perto, o suficiente para o ver mais, para demonstrar meu carinho além do telefone e me largar em seus braços com mais frequência. Queria roubar com você um pedacinho de doce antes do almoço, sair comendo escondido até o quintal e espalhar as migalhas pelas roseiras para não deixar pistas. Queria comer as frutas que descasca com todo o cuidado ou a carne que pica tão pequena como se meus dentes ainda fossem de leite. Queria ouvir o barulho do carro chegando e correr para abrir o portão, lembra-lo pela milésima vez de não entrar com os sapatos sujos em casa e ouvi-lo chamar pelo cachorro mais destrambelhado da face da Terra. Queria me sentar ao seu lado em todas as refeições e escutar sem pressa suas histórias, declamar os poemas que sabemos e gastar o tempo ao redor de uma mesa evitando que coma o que não deve.Eu queria muito cochilar com a cabeça em seus ombros todos os dias!
Eu realmente gostaria que tivéssemos mais tempo juntos para que me ensinasse o que eu preciso saber, me fizesse rir com seus casos, me mostrasse o que é certo e errado e me instruísse pela vida com o que já sabe. É seu aniversário amanhã e sabe que ganha mais responsabilidade a cada ano: é responsável pelo sorriso que me arranca ao lembrar de você mesmo quando estou triste ou chateada, pela alegria que me dá ao saber que está bem, pela preocupação quando adoece, cai do cavalo, arrebenta a mão em um facão ou sai de madrugada sem agasalho!
Nada disso, entretanto, é maior do que o dever que tenho de amá-lo, não por ter o posto de avô, mas por ser o MEU avô. E é exatamente por isso que mesmo que eu queira estar sempre perto de você, sei que não existe distância para nós, que você e vovó estarão sempre comigo aonde quer que estejamos.
Feliz aniversário, vovô! Ah, e nunca será demais repetir o quanto sua florzinha o ama!
Queria estar perto, o suficiente para o ver mais, para demonstrar meu carinho além do telefone e me largar em seus braços com mais frequência. Queria roubar com você um pedacinho de doce antes do almoço, sair comendo escondido até o quintal e espalhar as migalhas pelas roseiras para não deixar pistas. Queria comer as frutas que descasca com todo o cuidado ou a carne que pica tão pequena como se meus dentes ainda fossem de leite. Queria ouvir o barulho do carro chegando e correr para abrir o portão, lembra-lo pela milésima vez de não entrar com os sapatos sujos em casa e ouvi-lo chamar pelo cachorro mais destrambelhado da face da Terra. Queria me sentar ao seu lado em todas as refeições e escutar sem pressa suas histórias, declamar os poemas que sabemos e gastar o tempo ao redor de uma mesa evitando que coma o que não deve.Eu queria muito cochilar com a cabeça em seus ombros todos os dias!
Eu realmente gostaria que tivéssemos mais tempo juntos para que me ensinasse o que eu preciso saber, me fizesse rir com seus casos, me mostrasse o que é certo e errado e me instruísse pela vida com o que já sabe. É seu aniversário amanhã e sabe que ganha mais responsabilidade a cada ano: é responsável pelo sorriso que me arranca ao lembrar de você mesmo quando estou triste ou chateada, pela alegria que me dá ao saber que está bem, pela preocupação quando adoece, cai do cavalo, arrebenta a mão em um facão ou sai de madrugada sem agasalho!
Nada disso, entretanto, é maior do que o dever que tenho de amá-lo, não por ter o posto de avô, mas por ser o MEU avô. E é exatamente por isso que mesmo que eu queira estar sempre perto de você, sei que não existe distância para nós, que você e vovó estarão sempre comigo aonde quer que estejamos.
Feliz aniversário, vovô! Ah, e nunca será demais repetir o quanto sua florzinha o ama!
terça-feira, 12 de julho de 2011
Reencontro
Melhor do que receber presentes, é receber pessoas que são, por si só, presentes. Quando o coração já começa a se habituar ao aperto que ficou depois que levaram um pedaço dele, só mesmo um reencontro para fazê-lo voltar ao seu estado normal.
Aquele abraço que nunca deixou de ser especial, aquele perfume que jamais saiu de sua blusa de frio, aquela voz que não saiu do seu ouvido e aquela imagem que continuava guardada em sua mente voltam de repente e invertem o passado em ação mais-que-presente. Nem tudo está igual: coisas aconteceram, pessoas apareceram, lições foram aprendidas e o que não falta é novidade a ser compartilhada! Como se o tempo houvesse congelado e aquele abraço no meio do pátio derretesse a saudade e a vontade de rever.
O reencontro é a esperança da saudade, o objetivo da partida, a vontade do coração e o bálsamo da razão. Saber que alguém especial voltou, mesmo para ficar um instante, é conseguir vencer o desafio da distância e do tempo e provar que mesmo esquecendo a canção, há uma voz muito mais forte que canta em sinfonia com a amizade, o companheirismo, a lealdade, os sentimentos mais nobres de afeto e nunca será abafada por qualquer empecilho que o destino reserve. Sempre e em qualquer lugar, quem a amizade uniu, ninguém separará.
domingo, 19 de junho de 2011
Explicação
Apesar de não requerer nenhuma explicação, um choro deve ter algum motivo.
Não, eu não chorei de tristeza porque todos os nossos risos não podem ser resumidos em lágrimas.
Não, eu não chorei de saudade porque você nem tinha partido ainda e a saudade para mim deve ser comemorada pelo simples fato de ser sinônimo de amor.
Não, eu não chorei de mágoa porque ela não existe entre nós.
Não, eu não chorei de angústia por saber que ficarei longe de você, até porque a angústia não se encaixa na felicidade que todas as lembranças me trazem.
Não, eu não chorei de medo pelo o que vai acontecer, porque sei que o futuro está além da minha alçada e nosso dever é apenas seguir o fluxo da vida.
Não, eu não chorei de raiva porque estou me separando de uma pessoa especial, porque sei que você vai continuar em minha vida, nem que seja na memória.
Não, eu não chorei de dor, apesar de meu coração estar se partindo, sabia que aquilo era uma ferida que só nossa amizade poderá fazer cicatrizar.
Eu chorei, ainda estou chorando, porque minha consciência tomou partido da emoção e insiste em elaborar uma explicação racional e fundamentada de que não há nada mais inevitável do que a separação, de que as pessoas aparecem em sua vida, fazem a diferença e vão embora. Uma terrível sensação de não poder lutar contra isso, de saber que o momento chegaria mas nunca ter previsto quando, de insistir em acreditar que um dia seremos como no passado, porque, não, não seremos, afinal nos transformamos todos os dias e fugimos das próprias rédeas. Meu choro foi por tentar manter vivo o passado, mesmo sabendo que ele será substituído.
Não, eu não chorei de tristeza porque todos os nossos risos não podem ser resumidos em lágrimas.
Não, eu não chorei de saudade porque você nem tinha partido ainda e a saudade para mim deve ser comemorada pelo simples fato de ser sinônimo de amor.
Não, eu não chorei de mágoa porque ela não existe entre nós.
Não, eu não chorei de angústia por saber que ficarei longe de você, até porque a angústia não se encaixa na felicidade que todas as lembranças me trazem.
Não, eu não chorei de medo pelo o que vai acontecer, porque sei que o futuro está além da minha alçada e nosso dever é apenas seguir o fluxo da vida.
Não, eu não chorei de raiva porque estou me separando de uma pessoa especial, porque sei que você vai continuar em minha vida, nem que seja na memória.
Não, eu não chorei de dor, apesar de meu coração estar se partindo, sabia que aquilo era uma ferida que só nossa amizade poderá fazer cicatrizar.
Eu chorei, ainda estou chorando, porque minha consciência tomou partido da emoção e insiste em elaborar uma explicação racional e fundamentada de que não há nada mais inevitável do que a separação, de que as pessoas aparecem em sua vida, fazem a diferença e vão embora. Uma terrível sensação de não poder lutar contra isso, de saber que o momento chegaria mas nunca ter previsto quando, de insistir em acreditar que um dia seremos como no passado, porque, não, não seremos, afinal nos transformamos todos os dias e fugimos das próprias rédeas. Meu choro foi por tentar manter vivo o passado, mesmo sabendo que ele será substituído.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
Antítese
Os seres vivos nascem, crescem, se reproduzem e morrem. Se tiverem sorte, é claro. Acabei de estudar isto em Biologia. Mas uma coisa é estudar, outra bem diferente é entender o que significa o último verbo do que consta nas apostilas como "Ciclo Vital".
Não é fácil perder quem gostamos, quem contribuiu de alguma forma para nosso crescimento. Quem esteve presente em pelo menos um momento especial de nossas vidas. É triste, muito triste, constatar que o outro já se foi e nunca saber quando será nossa vez, porque com certeza, um dia ela chegará.
Ninguém pode prever quando será sua última respiração, quando seus olhos se fecharão para nunca mais se abrirem. As últimas palavras não são nada previsíveis e, ao menos que se escreva um testamento esclarecedor, muito do que alguém guarda pela vida inteira continua trancado a sete chaves depois de morrer. Por essa e por outras que escrevo, por puro medo de morrer e não descarregar minha alma, mesmo que seja em um blog com umas tantas escapadas à norma padrão da língua, com pouquíssimos seguidores e um instante de verdades desmascaradas.
Alguém consegue entender como se relaciona essa antítese "vida x morte" ? Sei que o fim de uma é o início da outra, mas não as compreendo. Sinceramente, não cabe a nenhum de nós procurar desvendar os mistérios que envolvem nossa experiência como seres humanos. Aproveitemos então a vida, que dá provas repetitivas de sua fragilidade e brevidade, não desenfreada, mas significativamente.
Ninguém pode prever quando será sua última respiração, quando seus olhos se fecharão para nunca mais se abrirem. As últimas palavras não são nada previsíveis e, ao menos que se escreva um testamento esclarecedor, muito do que alguém guarda pela vida inteira continua trancado a sete chaves depois de morrer. Por essa e por outras que escrevo, por puro medo de morrer e não descarregar minha alma, mesmo que seja em um blog com umas tantas escapadas à norma padrão da língua, com pouquíssimos seguidores e um instante de verdades desmascaradas.
Alguém consegue entender como se relaciona essa antítese "vida x morte" ? Sei que o fim de uma é o início da outra, mas não as compreendo. Sinceramente, não cabe a nenhum de nós procurar desvendar os mistérios que envolvem nossa experiência como seres humanos. Aproveitemos então a vida, que dá provas repetitivas de sua fragilidade e brevidade, não desenfreada, mas significativamente.
"Viva de modo que sua presença não seja notada, mas que sua ausência seja sentida"...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
Login
Para tudo na vida é preciso assumir a identidade de um usuário e fornecer uma senha de entrada.
Ao nascer, os altos brados de um bebê que acaba de revelar o poder de seus pulmões significa que existe mais uma cabeça sobre a Terra. Entra definitivamente na conta da vida e começa logo a enviar solicitações de amizades e também de inimizades, pois não é possível agradar a todos.
Ir para a escola requer abandonar a asa dos pais e entrar para uma conta da qual, por certo, demora-se muito a sair, caso consiga algum dia. Começar a ler e a escrever significa atualizar sua página e entrar na comunidade dos que conhecem a mágica da união das letras em pensamentos e opiniões.
Os segredos confidenciados, as lágrimas derramadas e os sorrisos compartilhados são a senha de entrada para laços, que verdadeiros, nunca se desfazem. Depois de correspondido esse código de confiança que não permite enganos nem falsidades, você está oficialmente inserido na vida de pessoas que marcarão a sua para sempre: os melhores amigos.
De repente, quando tudo vai muito bem (ou não), aparece uma espécie da pior qualidade que rastreia todas as suas senhas, coloca sua vida de cabeça pra baixo, confunde todas e mais algumas certezas e ainda faz braços torcerem e palavras serem pagas. Alguém autenticou o nome desse vírus fatal, o qual requer muita maturidade e entrega, de amor.
Entrar para a faculdade, ser contratado em um bom emprego, morar sozinho, comprar um carro e uma casa, realizar a viagem dos sonhos, escrever livros, compor músicas, emocionar as pessoas são muito mais do que alguns caracteres, vai além da dedicação, do esforço, do trabalho, do talento e da vontade de cada um. É preciso uma vida toda para, e ainda assim não será o bastante, conectar a imaginação e as expectativas à realidade.
Ascender o fósforo é o início de toda aventura pela cozinha assim como abrir o livro pelo mundo de quem o escreveu.Toda ação enquanto se é vivo requer um iniciativa, uma senha informada, um código fornecido, uma janela, porta ou qualquer mísera fenda aberta nos obstáculos encontrados, qualquer atitude ou palavra que represente o encerramento de uma fase e o início de outra, em que tudo pode ser novo, basta que se insira um passo certo e seja guiado por uma convicção bem sustentada.
Ao nascer, os altos brados de um bebê que acaba de revelar o poder de seus pulmões significa que existe mais uma cabeça sobre a Terra. Entra definitivamente na conta da vida e começa logo a enviar solicitações de amizades e também de inimizades, pois não é possível agradar a todos.
Ir para a escola requer abandonar a asa dos pais e entrar para uma conta da qual, por certo, demora-se muito a sair, caso consiga algum dia. Começar a ler e a escrever significa atualizar sua página e entrar na comunidade dos que conhecem a mágica da união das letras em pensamentos e opiniões.
Os segredos confidenciados, as lágrimas derramadas e os sorrisos compartilhados são a senha de entrada para laços, que verdadeiros, nunca se desfazem. Depois de correspondido esse código de confiança que não permite enganos nem falsidades, você está oficialmente inserido na vida de pessoas que marcarão a sua para sempre: os melhores amigos.
De repente, quando tudo vai muito bem (ou não), aparece uma espécie da pior qualidade que rastreia todas as suas senhas, coloca sua vida de cabeça pra baixo, confunde todas e mais algumas certezas e ainda faz braços torcerem e palavras serem pagas. Alguém autenticou o nome desse vírus fatal, o qual requer muita maturidade e entrega, de amor.
Entrar para a faculdade, ser contratado em um bom emprego, morar sozinho, comprar um carro e uma casa, realizar a viagem dos sonhos, escrever livros, compor músicas, emocionar as pessoas são muito mais do que alguns caracteres, vai além da dedicação, do esforço, do trabalho, do talento e da vontade de cada um. É preciso uma vida toda para, e ainda assim não será o bastante, conectar a imaginação e as expectativas à realidade.
Ascender o fósforo é o início de toda aventura pela cozinha assim como abrir o livro pelo mundo de quem o escreveu.Toda ação enquanto se é vivo requer um iniciativa, uma senha informada, um código fornecido, uma janela, porta ou qualquer mísera fenda aberta nos obstáculos encontrados, qualquer atitude ou palavra que represente o encerramento de uma fase e o início de outra, em que tudo pode ser novo, basta que se insira um passo certo e seja guiado por uma convicção bem sustentada.
domingo, 9 de janeiro de 2011
Idade
Para muita gente, ser velho é ter cabelos brancos, marcas de expressão, corpo dolorido e uma certa bagagem emocional e física. Ainda para as mesmas pessoas, ser jovem é deixar os cabelos tingidos ou naturais soltos ao vento, ter uma pele marcada por efeitos dos hormônios e um corpo que aguenta todas as maratonas da idade.
É engraçado, pois mesmo tendo uma pele que dizem ser de pêssego, cabelos escuros sem qualquer sombra de fios brancos e um corpo, fora sim dos padrões de beleza, mas saudável e relativamente resistente, várias pessoas que me conhecem, me tratam como uma velha e têm a plena convicção de que sou madura o bastante para ser respeitada como alguém que já viveu muito.
Com essa errônea ideia, acabam ignorando muito do que eu falo e o que é pior, a grande maioria dos meus sentimentos com a desculpa "ela é madura ao ponto de não sofrer por essa bobagem" e "não, ela tem mais o que fazer além de ouvir isso" ou "não é do interesse de alguém como ela" e assim, todos se esquecem de que estou na primeira metade da segunda década de minha existência, quando o que não falta são questionamentos, dúvidas torturantes do início da oração até o ponto de interrogação.
Não sou uma jovem imatura que sonha com um príncipe encantado e passa horas na frente do espelho montando diálogos, caras e bocas enquanto o espera chegar em seu carro importado conversível (já que o cavalo é meio de transporte ultrapassado, branco então só no haras que o bonitão mantém com sua fortuna) e cujo maior sonho é um cartão ilimitado para bolsas, sapatos, roupas e acessórios caríssimos. Ainda não sou a senhora durona, conservadora e metódica que ignora a felicidade dos outros sendo rabujenta o bastante para despertar nas pessoas um ar camuflado de respeito, que no fundo é puro isolamento.
Tenho um pouco de cada e um tanto de tudo: moleca, determinada, emotiva, contida, atrapalhada, extrovertida, sincera, mal-humorada, romântica, perfeccionista, corajosa, desorganizada, eficiente, retardada, religiosa, indiferente, sarcástica, exigente, atrapalhada, carinhosa e preocupada.
A idade não importa porque, no fundo, não está na pele, no couro cabeludo, na certidão de nascimento ou no conceito dos outros. Temos a idade de nossas atitudes. Maturidade ou imaturidade são conceitos que se definem por ações e reações e não simplesmente pela primeira palavra que sai da boca de alguém no momento que você o conhece.
Defendo a ideia de Martha Medeiros de que "tenho milhões de dias pela frente para aprender a ser jovem", a conservar um espírito inconformado, sem pressa de se tornar só e a não passar pela vida sem enxergar muito do que apenas a experiência pode mostrar.
É engraçado, pois mesmo tendo uma pele que dizem ser de pêssego, cabelos escuros sem qualquer sombra de fios brancos e um corpo, fora sim dos padrões de beleza, mas saudável e relativamente resistente, várias pessoas que me conhecem, me tratam como uma velha e têm a plena convicção de que sou madura o bastante para ser respeitada como alguém que já viveu muito.
Com essa errônea ideia, acabam ignorando muito do que eu falo e o que é pior, a grande maioria dos meus sentimentos com a desculpa "ela é madura ao ponto de não sofrer por essa bobagem" e "não, ela tem mais o que fazer além de ouvir isso" ou "não é do interesse de alguém como ela" e assim, todos se esquecem de que estou na primeira metade da segunda década de minha existência, quando o que não falta são questionamentos, dúvidas torturantes do início da oração até o ponto de interrogação.
Não sou uma jovem imatura que sonha com um príncipe encantado e passa horas na frente do espelho montando diálogos, caras e bocas enquanto o espera chegar em seu carro importado conversível (já que o cavalo é meio de transporte ultrapassado, branco então só no haras que o bonitão mantém com sua fortuna) e cujo maior sonho é um cartão ilimitado para bolsas, sapatos, roupas e acessórios caríssimos. Ainda não sou a senhora durona, conservadora e metódica que ignora a felicidade dos outros sendo rabujenta o bastante para despertar nas pessoas um ar camuflado de respeito, que no fundo é puro isolamento.
Tenho um pouco de cada e um tanto de tudo: moleca, determinada, emotiva, contida, atrapalhada, extrovertida, sincera, mal-humorada, romântica, perfeccionista, corajosa, desorganizada, eficiente, retardada, religiosa, indiferente, sarcástica, exigente, atrapalhada, carinhosa e preocupada.
A idade não importa porque, no fundo, não está na pele, no couro cabeludo, na certidão de nascimento ou no conceito dos outros. Temos a idade de nossas atitudes. Maturidade ou imaturidade são conceitos que se definem por ações e reações e não simplesmente pela primeira palavra que sai da boca de alguém no momento que você o conhece.
Defendo a ideia de Martha Medeiros de que "tenho milhões de dias pela frente para aprender a ser jovem", a conservar um espírito inconformado, sem pressa de se tornar só e a não passar pela vida sem enxergar muito do que apenas a experiência pode mostrar.
domingo, 12 de dezembro de 2010
"Fim"
Estive por aí contando o tempo. Não foi tarefa fácil, nem consegui obter algum resultado construtivo. Mas tentei desvendar o segredo dos ponteiros e letreiros dos relógios que andam por demais apressados e das folhas dos calendários que cada vez mais rápido se viram.
Comecei pelo olhar das pessoas mais velhas: afinal, já viram tantas coisas nesse mundo e carregam tantas marcas e efeitos do tempo que pelo menos alguma pista do quão corrido ele é poderiam me dar. Mas, para a surpresa de uma inexperiente jovem, nenhum deles se mostrou satisfeito com o que tinha observado, queria mais!Os donos dos olhares gostariam de fazer tudo de novo, entretanto com mais intensidade, mais verdade, mais entrega, mais sentimento e ainda experimentar todas as outras coisas que conheciam ou ignoravam no mundo. Resistindo em me ajudar, essas pessoas pediram que eu colocasse em minha pesquisa o fato de o tempo ser ingrato: quanto mais passa, mais se descobre que não será o bastante para adquirir qualquer mínima sabedoria.
Já entre os maduros, percebi que deixam para sentir que tempo corre apenas nas dores do corpo, nas visitas aos médicos e nos cabelos brancos que começam a ficar freqüentes, já na correria do dia-a-dia, nas preocupações e afazeres cotidianos, tornam-se escravos do relógio, dependentes de horários rígidos, manutenção de agendas lotadas com compromissos que têm data, hora e local marcados para evitar imprevistos e perca de tempo. O tempo, para a realização de alguns, passa a ser sinônimo de dinheiro e cada segundo deve ser garantido e preenchido com ocupações que valem como ouro.
Voltei-me então para os jovens cheios de vida, alegrias, com ansiedades saindo pelos poros da pele e pressa incomparável de viver intensamente cada segundo, famosos adeptos ao “Carpe Diem” e encontrei um poço sem fim de emoções atropeladas, momentos vividos ao acaso, sem serem aproveitados na totalidade por essa idade teimosa mais rápida que o tempo, ignorando que ele não admite concorrência e cobra altos preços por cada inconseqüência cometida em nome de banalidades, atitudes impensadas e precipitadas de quem julga ter sempre razão, mas que nem sempre está certo e corre os grandes riscos da frustração.
No outro e primeiro extremo das fases da vida, revolvi procurar as crianças, mas para elas presente, passado e futuro não fazem sentido algum, pois o que importa é que um dia venha depois do outro, noites caiam e dias amanheçam na ordem simples e natural dos fatos do mundo. Sem previsão, preocupação, chateação, apenas obedecendo à direção dos caminhos da vida.
Sem conclusões concisas, me lembrei da afirmação de Chaplin “a vida é uma peça de teatro...” e agora, tenho o tempo como a rubrica do roteiro de nossas vidas que silenciosamente, sem ser mostrada ou percebida por quem assiste, vai guiando nossas ações no palco do destino e é, sem que ninguém possa notar, na última cena de nossas interpretações antes que a cortinas se fechem, a palavra final de nossa existência.
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